06 setembro 2010

"Costas Distantes"

Ela observou, com os olhos reservados de muitas emoções, as costas dos seus amigos seguirem seus caminhos, a passos firmes e decididos. A maioria deles agora tinha novas companhias para sua nova jornada e parecia bem feliz; mas ela não podia confirmar já que não podia ver seus rostos para confirmar se neles havia sorrisos. O máximo que podia fazer, dali onde se mantinha estática, era esperar que sentissem falta dela em algum ponto do caminho e lhe voltassem então suas memórias mais sorridentes e felizes. Desejar que pensassem nela com algum carinho. Com alguma saudade.
Ela bem que tentou se resignar a sua nova vida de solidão. Ela se prepara para isso, tempos atrás, mas foi surpreendida com os mais valiosos amigos que pôde ter. E agora, três anos depois do que ela previra, se via sozinha. A solidão viera, de todo modo. Ela não pôde fugir.
- Cedo ou tarde todo mundo tinha que ir embora mesmo. - Ela ouviu a voz sentenciar, não parecendo realmente incomodada com aquela triste realidade. - Algúem disse, em algum ponto do caminho, que as pessoas sempre deixam você pra trás.
- É, eu sei... - Ela respondeu devagar à voz sem rosto. - Mas tinha mesmo que ser todo mundo ao mesmo tempo? Como se participassem todos de uma maratona para ver quem ia primeiro?
A pobre perguntou, parecendo ressentida do modo como as coisas iam.
- Bem, é a vida, querida.
E ela suspirou, cansada demais dessa respostinha incompleta para se dignar a respondê-la.
- E você, está esperando o quê pra partir?
Houve silencio por um momento, e então a voz saiu meio risonha, como quem zomba da coragem da pequena de peitá-la.
- Apenas o Sol se pôr. Aí, minha cara, nem essa sombra medíocre que eu sou você terá por companhia.
- Ora, é mesmo? E quem me garante que não é melhor a solidão?
- Vai saber logo.
- Então pretendes mesmo partir?
A pergunta soara de algum modo doce, de algum modo dolorida, mas ninguém a respondeu.
- Eu perguntei se é verdade que partirás? - Ela repetiu, uma nota de pânico se mostrando em sua voz fina.
A própria voz pareceu ganhar eco em seus ouvidos, mas não era verdade; o silêncio era tudo o que era latente ao seu redor. Parecia contínuo, um grito que se estendia, devagar e preguiçoso do mundo invisivel e vazio que a rodeava agora. Tremeu. E percebendo seu frio, notou o que lhe ocorria.
Lá se fora o Sol. E lá se fora o ultimo dos restantes, a sua ultima companhia. Lá se fora sua amarga consciência. Seus ressentidos sentimentos.
E nada restou à pobre além de dizer olá àquela escuridão. A mesma escuridão que já não lhe permitiria nem mesmo divisar as costas das pessoas que lhe deixavam para trás. Nada lhe restou além de lhe fazer uma mesura à guisa de boas maneiras. E também à solidão que veio com ela.
Eterna, até lhe provarem o contrário. Eterna e Inquebrável.

Um comentário:

  1. Imagino que você chorava enquanto escrevia isso, enfim, muito bonito, thaic.

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agora é a hora em que você rabisca a sua mensagem no meu infinito pessoal :)


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