Mostrando postagens com marcador mini-conto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mini-conto. Mostrar todas as postagens

24 dezembro 2012

Sobre o natal em várias páginas.

No dia 05 de dezembro de 2012, dona Bruna N. Leôncio me fez um lindo-de-morrer convite: um texto de natal para um bloco especial de postagens (devidamente explicado aqui) no blog dela, o Confesiones (sou fã, vai lá ler). Vou dizer, porque eu sei que vocês não sabem, que desde que eu me mudei cá pra roça, eu perdi o gosto no natal. Perdi mesmo, de ficar deprimida e tudo. E então, parei de escrever nele. Sobre ele. Essas coisas. Mas, a pedido da Bru, que é toda feita de ser minha inspiração literária, resolvi colocar meus dedinhos e meu coração para funcionar esse ano. E aí eu fui e escrevi três histórias. Me excedi um pouquinho, fiz coisas enormes e acabei perdendo completamente o prazo que a linda da Bru me deu, só pra não destoar da minha personalidade habitual de pessoa perdida... Mas terminei, enviei e isso é que o importante.

Eu e o papai noel te desejamos feliz natal. HOHOHO!

Anyway, vou postar os textos cá no blog antes do ano novo, provavelmente preferencialmente, e vou linká-los fofos aqui neste post conforme eu o fizer. E esse post é só pra explicar tudo isso. Afinal, não é um lugar-escrito de Thainá Caldas se não tiver uma falação aleatória de vez em quando. Eu sou toda feita de falações aleatórias, afinal de contas.
Tudo isso dito, postarei.
Espero que gostem.
E as histórias de natal são...

Beijos, beijos,
e um Feliz Natal para vocês! 
Thai.

O meu Rudolph Prateado com Guisos também te deseja feliz natal!

19 março 2012

Vilão.

Herói. Eles o chamavam assim antes, boca e peito cheios de orgulho, como se eles lhes pertencesse de algum modo. Não era verdade. Não era de ninguém além de si mesmo, e não seguia nenhum outro impulso que não o próprio. Voava pelos céus e salvava vidas não por que era o correto, mas porque sentia certo desse jeito. E  não se importava com o que era esperado dele, fazia por sabia que podia fazer. Por que queria fazer. Por que se importava.
Ele era (e sempre fora) de sí próprio, tudo o que podia fazer pertencia a sí mesmo, e ele não tinha dividas para com um mundo que teria cuspido nele, como fazia com tantos outros, se assim pudesse. Se ele não pudesse alçar voo e levantar os pés da terra, olhar de cima pra quem devora os outros, tantos outros, com os quais ele crescera e vivera e aprendera a amar e a odiar e a ignorar, de vez em quando. Ele sabia bem o destino que tinham, o que reservavam pra eles, e pra ele mesmo, se pudessem lhe dar. Que provavelmente dariam, quando estivesse distraído, procurando alguém na multidão de rostos que viviam sem voar. Ele sabia bem que a queda era certa, e sentia a revolta arder por baixo do sorriso padrão, por causa da ingratidão que, certamente, hora ou outra, viria a seu encontro.
Mas seu peito sempre foi seu maior guia e ele nunca foi de se deixar levar. Nunca foi de se deixar enganar. Ele se preparou. E enquanto as vontades coincidiram apenas rosas voaram ao seu encontro, atiradas no céu azul pelo qual ele voava sem medos. Mas então havia nuvens, havia medo e incerteza e um problema grande demais, duvidas demais e ele não queria ser nada mais que um homem comum, garoto novo, caminhando na vida querendo pouco mais que um amor pra lembrar pra sempre e conquistar um sonho. É que ele já estava farto, morto, exausto de ser o sonho. Não queria mais voar sem os braços de alguém ao redor de sí ou de correr como o vento pra ajudar fosse quem fosse, salvando apenas uma parcela de um mundo que se partia, por mais que ele tentasse colar. E ele não queria ser herói, não queria ser personagem de história, não queria ser ninguém se não pudesse fazer a diferença. E, como quem caminha em areia movediça, ele sentiu as forças serem sugadas, os esforços frustrados, a vida drenada. Não valia a pena o esforço. Ninguém queria mesmo salvar, apenas ser salvo. E ele não seria mais o palhaço que insistia. Ele não seria aquele em quem atirariam as pedras quando tudo falhasse.
E assim, aposentou a capa, amarrou bem firme os sapatos, e passou a viver com os pés no chão. Amenizou a dor, mas, desde então, foi chamado de vilão.

09 fevereiro 2012

Matrimonial.

  Seu corpo era meu travesseiro e eu sorria enquanto mergulhava em seus olhos muito azuis. Você era mar. E meu queixo parecia ter encontrado o lugar exato pra repousar sobre minhas mãos em seu peito, e meus olhos se fechavam por segundos inteiros acompanhando os movimentos do seu respirar mais profundo. E o subir e descer de nós dois era o oceano e éramos eu e você e 1,2,3, inspira, expira, te respiro, te navego.
  E no segundo que levei para, de lado, ouvir melhor teu coração - que era meu, de tantas formas - senti sua voz surgindo em volta de mim, me preenchendo e me elevando e acelerando meu coração, como se meu corpo entendesse tudo de nós antes de mim (é um efeito que só você causa).
Me ergui em meus cotovelos para te ver melhor, te olhar direito, te absorver. Meu rosto era uma interrogação.
- O que você disse?
- Quero casar com você.
  Eu o encarei por um minuto quase inteiro, mente em branco. Tudo o que eu via era o azul-mar e o eu-e-ele eterno que era pra ser. E ele sorria enquanto o mundo girava rápido demais pra eu acompanhar. Fechei minha boca, que eu nem tinha reparado que abrira.
- Casar?
- É, casar. Eu e você, altar, anéis, pra sempre. Essas coisas.
- Mas... A gente não pode casar.
- Por que não?
- Somos muito novos. Só estamos juntos há uns poucos meses...
- Onze. - Ele me interrompeu. - É tempo mais que suficiente pra saber se eu quero te amar pra sempre. E eu quero.
   Pisquei, perplexa com o quanto ele era capaz de simplificar as coisas. E ele sempre parecia tão certo do que dizia que quase me convencia. Mas não dessa vez.
- Não é assim. Não é só isso.
- E o que mais? Isso é o importante.
- Pra começar, nós nunca dividimos o mesmo teto mais que algumas noites. E se nós descobrirmos que não aguentamos as manias um do outro? Ou que o encanto acaba se for demais?  E com tudo isso de morar em outra cidade, você ainda nem conheceu meus pais! E se minha mãe não gostar de você? Pior ainda, e se você não gostar da minha mãe? Ou entrar numa briga com minha irmã, ou não conseguir entender o quanto meu irmão é especial?
  "E se você me machucar?" ficou guardado, latejando, pulsando sob todos os outros medos. As outras desculpas.

- Você só está arrumando pretextos bobos, amor. Eu tenho certeza de que vou me dar bem com sua família, toda ela. E se não for assim, vamos lidar com isso. Juntos. Eu não vou te deixar. Eu não quero. Nunca mais.
- Mas...
- Você não precisa ter medo.
- Esse é um passo muito grande. É claro que eu tenho medo. Você está me aterrorizando.
- Você tem essa mania de fazer de tudo um problema, e um problema grande demais. As coisas não são assim.  Eu te amo, e esse é simplesmente o próximo passo natural.
- Não sei disso não.
- Não seja infantil.
 Eu fiz bico, quase ofendida por um instante. Depois deixei pra lá.
- É só que casar - pronunciei como se fosse horrível, e ele sorriu - pode deixar tudo confuso. Pode transformar tudo em um pesadelo. Quero dizer, basta olhar os outros casais do mundo. Todos eles falam tão mal desse tipo de comprometimento... Eu tenho medo de estragar o que a gente tem.
 "Porque o que a gente tem é tudo o que eu tenho". Guardei novamente, mas eu sabia que ele podia ler a verdade nos meus olhos. Ele sabia. Sempre soube. Sempre esteve ciente da minha intensidade, que afastou a tantos outros, e mesmo assim segurou minha mão e me abraçou no escuro e afastou meus medos. Ele foi intenso por mim.
  E agora me encarava tão suavemente, tão acolhedor, tão cheio de amor nos olhos azuis que pensei talvez ter entendido ao contrário. Quem sabe ele não era o intenso de nós dois. Ele sorriu, como se lesse minha mente, e meu peito acelerou. Onze meses, e as mesmas reações adolescentes do primeiro dia.
- Não estou dizendo que não vai haver nuvens - talvez até uma ou duas tempestades, de tempos em tempos. Elas vão acontecer e nós vamos ter que lidar com elas. Tampouco posso dizer que as coisas não vão mudar entre nós. Quero dizer, poder chamar você de minha esposa? Vai me mudar pra sempre. Mas vai ser o mesmo amor entre a gente, então, vai dar tudo certo.
- Mas...
 Comecei, e ele colocou os dedos suavemente sobre meus lábios, calando meu argumento.
- Eu sei que a ideia é um pouco assustadora. É normal recear. Mas o que tem entre a gente é amor e é de verdade. E por mais que o mundo tente dizer o contrário, o amor é realmente muito simples. É fácil como respirar. É a gente que complica.
Engoli minhas palavras, uma a uma, enquanto ele continuava a falar. A voz era doce, era paraíso, era lar. Amor, sob qualquer perspectiva. E eu só queria amor mesmo. Só queria ele. Então, por que não?
- Sim.
 Eu disse simplesmente, interrompendo-o. Ele piscou.
- Sim?
- Sim. Eu quero me casar com você, pra sempre com você, amor com você. Sim, sim, sim.
 E ele pareceu levar um minuto inteiro para absorver minhas palavras. E então me puxou, colando os lábios nos meus enquanto sorria um sorriso que me fez ver, mais que perceber, que ele estava mesmo certo. Amar era muito simples.


-
Teoricamente, isso era pra participar da edição dessa semana do Bloinquês. Mas além de tudo o que eu normalmente sou, eu sou também lesada, e escrevi um conto no tema da Edição Cartas. Bem, bem, perdi a oportunidade. Mas taí (eu fiz tudo pra você gostar de mim). 

23 novembro 2011

Seu sorriso foi presença constante nos meus sonhos por poucos dias. Tentei fazer de você mágico pra curar meu coração, mas você não podia. Ninguém podia. Sorriso nenhum me cura. A beleza só me machuca. Você só me feriu. E seu sorriso bonito em pouco tempo virou pesadelo. Fantasma. Monstro. Caçador. Assustador. E agora quando eu vejo, me encolho e sangro. A beleza me mata, cada vez um pouco mais, por dentro. E você não sabe, mas sorri, e a felicidade é tão bela que me cega, me fere, me derruba. Você não sabe, mas me mata. Me mata sorrindo.

19 junho 2011

Sobre florestas e lobos.



  Devaneei sobre meus sentimentos e encarei seus olhos vermelhos, que brilhavam selvagens e cheios de violência para mim. Sorri.
  Ele era uma espécie rara. Foi particularmente difícil encontrá-lo na floresta cheia de ruídos, onde sua respiração era facilmente encoberta pelo barulho das folhas caindo e do vento rugindo nas árvores. Mas eu o encontrara, o domara e garantira, pelo ritual certo, que ele era agora meu, ainda que ele não gostasse disso. Ainda que todo o seu ser quisesse - e talvez até fosse capaz - de me reduzir a pedaços, seu sangue era meu,  e, como meu vassalo, ele me devia obediência. Me devia sacrifício. Senti meu corpo tremer com o poder conquistado e fechei os olhos absorvendo a gostosa sensação de ter o controle. Quando os voltei a ele, o lobo ainda me encarava, consciente do fato de que nunca mais teria liberdade. Que estaria para sempre atrelado a mim. Uivou, captando meus pensamentos.
- Se comporte. Meu querido cachorrinho.

Layout por Thainá Caldas | No ar desde 2009 | Tecnologia do Blogger | All Rights Reserved ©